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Racismo é estrutural

Para uma branca falar de racismo, parece hipocrisia, mas não é, sendo que o racismo é estrutural e portanto está em nossa sociedade, assim como lido com esse tema sempre, pois atendo pessoas pretas em minhas consultas e isso faz parte da vida delas.



O racismo é uma forma sistemática de discriminação e acontece de formas conscientes e inconscientes.


O racismo estrutural é um fenômeno profundamente arraigado na história, com raízes que remontam aos períodos coloniais e escravistas. 


A construção de sociedades baseadas na superioridade racial, com a exploração e opressão de determinados grupos, moldou as estruturas sociais, políticas e econômicas de muitos países.


No Brasil, por exemplo, a escravidão africana por mais de 300 anos, seguida de um processo de "branqueamento" da população, perpetuou desigualdades raciais que se manifestam até hoje. Essas desigualdades históricas se solidificaram em instituições e práticas sociais, criando um sistema que privilegia brancos e marginaliza negros, indígenas e outras minorias, mesmo após a formalização da abolição da escravatura e a promulgação de leis antirracistas.


O racismo estrutural, portanto, é um legado histórico que continua existindo, importante frisarmos isso.


Ainda se tem muito a ideia de manter um padrão, e assim havendo discriminação. É preciso mudar nossa educação urgentemente e aumentar cada vez mais ações afirmativas de políticas públicas, que tem a função exatamente de combater isso e fazer a mobilização social.

Vale ainda destacar o quanto a mulher negra tem situação ainda pior que o homem negro, pois além de tudo que enfrenta por ser preta, o ser mulher também tem seu peso.


Quero ainda enfatizar o como o estereótipos criados sobre a mulher preta e também sobre o homem preto (exemplo: o negão com seu corpo, a mulher negra sem inteligência, o neguinho pobre, a mulher negra sensual, entre outros), pode afetar absurdamente a construção psicológica dessas pessoas.


Os pretos são minoria, mas só falar isso já vemos os brancos como grupo dominante, percebe?


E aqui já vemos de cara um aspecto da saúde mental da população negra que envolve o estresse de minoria, ou seja, a cultura dominante estigma e rotula as outras culturas, e claro isso gera estressores: auto-estigma (visão inferiorizada de si mesmo), sentimento de incapacidade, devido a experiência violentas ou invalidantes, expectativa rejeição - medo e ansiedade de inaceitação, de discriminação, de exposição, ridicularização e algumas vezes de violência também. Tensão constante, síndrome do impostor em muitos casos, baixa autoestima, etc.


Diante disto a pessoa tem uma tendência a grande defesa ou esquiva e a estratégias defensivas.


São algumas estratégias defensivas: dificuldade de falar de suas emoções (sem falar parece ser mais bem aceito), dificuldade em dizer não (se coloca em posição de enfrentamento e isso é algo que não quer), se tornar invisível (no geral isso ocorre desde infância) esse aspecto pode trazer um adulto alienado, inclusive sem perceber o contexto racista que o cerca, auto ódio (ri demais de si mesma, piadas de si, constrói muitos desafetos e tb tem racismo mesmo sendo preta), forte o tempo todo (socialmente cobrada por isso), excessivamente eficiente (esconde sobrecarga e cobrança social constante, compensa sua presença e precisa provar o tempo todo sua capacidade).


E o pior de tudo isso, é que essa mesma população tem menos acesso aos tratamentos de saúde.


O jovem negro até 29 anos é perfil que mais comete suicídio no Brasil. E os pretos tem mais chances de desenvolver depressão que os não pretos.


Assim percebemos o quanto o racismo é um fator adoecedor e cria patologias sociais desde o colonialismo (sim antigamente ocorria também, os escravizados tinham profunda tristeza).


A pessoa passa a ter uma constante preocupação em se provar, muitas vezes fazendo mais do que outros pra isso e trazendo consigo uma carga social e pessoal que fortemente afeta o psicológico.


Em uma consulta psicanalítica é fundamental uma escuta ativa e anti racista, se atentando que aquela pessoa preta sofre um racismo estruturado desde que nasceu, isso formou a personalidade, não ocorre só quando tem uma agressão, isso é para todos os pacientes pretos, sem exceção.


Além disso, o terapeuta deve se atentar que muitas vezes isso não está elaborado no paciente, alem de se atentar a pequenas discriminações, não propositais, que podemos exemplificar com uma fala: "mas você não é tão preto" e outras coisas que é uma tentativa de acolhimento mas esta enraizada em uma fala discriminatória, e assim o terapeuta precisa se atentar e ser realmente quem trabalha isso dentro e fora de consultas, evitando assim a perda do vínculo paciente/ terapeuta e invalidação.


Portanto existem posturas que parecem ok mas são micro agressões:

Deve se romper neutralidade clínica, pois a escuta neutra não traz flexibilizações, então amplie o olhar para pessoas pretas para não ter seus conceitos formados e sim explorar o que a pessoa realmente fala.

A partir do momento que um paciente vivencia experiências racistas, algumas propostas se precisar se manter nas relações com essas pessoas seja inserir esse tema a esse grupo de alguma forma.


Evite soluções universais, é um grupo diferente que precisa de ações diferentes. Não individualize situações estruturais, ou o tratamento será de fracasso.


Em atendimento clínico é inerente pensarmos que todos pacientes pretos vivem o racismo, ou seja, nunca estão imunes a isso.


Falar que já namorou um preto por exemplo, é invalidar isso. E outro aspecto de invalidação que se deve atentar para não ocorrer é trazer que "tudo é racismo", que o emocional esta abalado ou trazer que o negro é exótico, como "queria ter a cor da sua pele, seu cabelo é lindo". E esse último ocorre muito comum, sem más intenções.


O preto pode não trazer o conteúdo racismo elaborado, mas vivencia isso, então o profissional não pode neutralizar isso.


Não tem resposta ou resolução pronta, se constrói o contexto terapêutico, dia a dia, muitas não conseguem falar do assunto.


Clatro, que duvidar de relatos e sentimentos não se pode em contexto nenhum dentro das sessões, mas é algo que também precisa ser pensado.


O racismo pode acarretar na vítima baixa autoestima, sentimento de incapacidade, altas ações defensivas usadas em contextos que nem sempre precisariam.


Reconhecer o preto como preto tem seu valor, reconhecimento é importante.


Em algum momento como terapeutas podemos errar sob essa conduta anti racista exatamente por ser algo estrutural, ou seja é formado dentro de nós mesmo sem querermos pelo contexto social que vivemos e por mais que os valores sejam bons é preciso entender que deve ter a abertura de perguntar ao paciente como se sentiu durante a sessão, podendo assim ajudar a entender se ele está confortável e ok.


Adotar uma postura de busca ativa é fundamental para nós profissionais, faça diferença, reajustando valores, atendendo quem precisa de inclusão e vamos juntos mudar vidas!

 

Para consultas  Whatsapp 4199655241 ou acesse

 

 
 
 

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