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O SILÊNCIO NA TERAPIA

O SILÊNCIO NA TERAPIA

A terapia envolve um processo de cura pela fala, essa fala pode ser gestual, pode ser realmente falando, pode ser em atitudes e um olhar, mas é claro que quando se conversa o processo de melhoria ocorre.
O psicanalista recebe o paciente e vai digerindo o que é falado, organizando e devolvendo com questionamentos, frases que fazem refletir, porém algo que ocorre com algumas pessoas é o silêncio.
Ir em uma sessão e ficar simplesmente ali quieto.

E nesse caso é importante entender que o silêncio é também uma manifestação e pode ser entendido de algumas formas.

Mas antes é importante destacar, que caso de silêncio sempre são estudos pelos psicanalistas e até hoje existe debates sobre como agir e o que aferir em cada caso.

Na psicanalise temos o silencio como uma defesa, uma resistência que pode ser consciente, quando o paciente informa que não quer falar de um assunto ou inconsciente.

Quando se tem um silencio total podemos entender como uma descarga tendo em vista que o que vivenciou teve um desgaste (seja algo vivido naquele momento da vida, seja algo da própria análise), pode ser ainda uma pausa para deixar mais leve, quando o assunto tem um alto peso ao paciente, pode ser uma forma de recompor o ego ou seja, um silêncio para digerir o que visualizou na consulta ou de algo em sua vida.

Para o psicanalista cabe esperar, mas também fazer o paciente refletir o porque de seu próprio silêncio pois isso poderá agregar na sessão e em sua vida.
Nesse primeiro momento que se acolhe o silêncio, significa oferecer uma escuta analítica verdadeira, pois significa escutar além das palavras, que como já vimos anteriores é um processo fundamental da análise. Nesse momento ocorre uma comunicação entre o inconsciente do analista e do analisando e é possível captar muito para a sessão.

Então aqui já percebemos que o silêncio ainda que difícil ao psicanalista é uma expressão além da palavra e que cabe ser analisado em uma sessão, assim como se ficasse por 50 minutos falando sem parar.
"De onde provém a inquietante estranheza que emana do silêncio, da solidão, da obscuridade?… Nada podemos dizer da solidão, do silêncio, da obscuridade senão que são esses verdadeiramente os elementos aos quais se liga a angústia infantil, que jamais desaparece inteiramente na maioria dos homens." Freud
Nessa citação se vê claramente que estranhamos sim o silêncio, é um encontro obscuro, que gera incerteza, vazio e até mesmo angústia. Mas se preencher esse vazio com palavras vazias sem dúvida seria pior, o silêncio pode ser então muito mais útil e profundo.

O silêncio possui forças que arrastam o paciente para o inconsciente e isso tem um poder que não pode ser esquecido ou deixado de lado.

Frente a essa postura de admitir o silêncio e depois trazer o ao analisando a reflexão sobre ele no futuro tem um caráter de valorizar a relação terapêutica, investir no reconhecimento de alteridade, a criação e firmeza de um laço social, de trabalho transferencial intenso e o mais interessante pode resultar em um resgato do sujeito com sua inconsciência, sendo que na atualidade com a pressa em tudo e a necessidade de resolução por muitas vezes se perde.

Vale dizer que existem autores que visualizam o silêncio como uma "conquista do paciente" frente a análise que sempre tem palavras. E aqui a empatia do analista e seu acolhimento são suficientes para a continuidade da análise.

"[...] A nossa experiência tem nos mostrado, e o fato pode ser confirmado como muitas vezes nos agrada, que se as associações livres do paciente falham (nota: eu quero dizer quando realmente param e não quando, por exemplo, o paciente as mantém retidas devido a um sentimento de desprazer), a paralisação pode invariavelmente ser removida por uma garantia de que ele está sendo dominado, no momento, por uma associação que se preocupa com o próprio médico ou com algo que o conecta ao médico. Assim que esta explicação é dada, a paralização é removida, e a ausência de pensamentos foi transformada em uma recusa a falar [...]." (Freud)

Veja que nessa citação nosso querido psicanalista diz, que a resistência deve ser removida e quando ela é transformada em silêncio pode ser um avanço, apesar do silêncio ser tido como resistência, ele pode ser um ato de transformação em que não se fala de algo, mas se conhece o algo ou ao menos se da um start de questionamento sobre o como trabalhar esse algo.

Parece complexo mas seria basicamente a ideia de se perguntar o porque do silêncio e ai se é algo consciente será refletido imediato, se inconsciente será no mínimo forçado a pensar.
"Tem gente que pede socorro fazendo silêncio" (Freud)

Dessa forma o silencio é um meio de comunicação com forte poder de expressão na psicanálise. O silêncio fala e fala muito, ao psicanalista cabe ouvir, entender e junto com o paciente é possível analisar.

Autora Nathalia Andrade do site www.terapiabrasil.com.br
Faça terapia e mude a sua vida: www.terapiabrasil.com.br
 
 
 

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